O relato de duas viagens, feitas com intervalo de 9 anos, pelo estado norte-americano de paisagens deslumbrantes e estradas perfeitas. Na primeira, em 2006, éramos só nós dois. Em sua releitura, em 2015, já tínhamos a companhia do pequeno Arthur.
By Fernanda Portugal e Flavio Pessoa, jornalistas e viajantes
Pinheiros de ambos os lados. A estrada que leva ao paraíso de Yosemite Park
Noite bem dormida em Oakhurst e chega o momento de continuar nossa viagem. Em poucas milhas, a paisagem que se descortina na estrada é essa aqui acima.
Poucos lugares no mundo apresentam uma variação geográfica e climática como a Califórnia. Num momento você está numa bela praia, com o mar à sua frente (gelado pacas, diga-se de passagem) e areia para curtir. A mesma praia pode te oferecer, ainda, rochedos e escarpas. Saindo do litoral, você corta planícies lindas, com plantações que vão desde oliveiras e vinhedos até morangos e cerejas.
Uma excelente opção de hospedagem: Wawona
O hotel do século XVIII oferece quartos
com banheiro coletivo ou privativo
Um punhado de quilômetros mais à frente, surgem montanhas e florestas, ora verdejantes com céu azul e límpido e córregos de águas transparentes, ora gélidos, com neve e lagos congelados. Logo depois dessas montanhas e florestas, você se depara com uma paisagem desértica e árida. É realmente impressionante a diversidade.
Prédio principal da bela construção de madeira. Há anexos
Esse nariz de cera todo serve para apresentar o que vem agora: Yosemite Park, um lugar realmente espetacular. A floresta, os acidentes geográficos, as cachoeiras, os rios, a paisagem toda te deixam extasiado. E para quem não dispensa o conforto, sobra estrutura para turistas de hábitos urbanos.
outro ângulo: acesso ao restaurante
saguão do hotel
No café da manhã
Quando falamos que sobra estrutura, é porque sobra mesmo. Além de hotéis, são cinco ao todo, o parque oferece serviço de transporte (em ônibus gratuitos que circulam por todo o Yosemite Valley, a área de convivência mais concorrida do parque), restaurantes e lanchonetes, posto de gasolina (um só e bem mais caro), e passeios para todas as idades. Tem até trenzinho para a criançada.
Yosemite Falls
riacho de água cristalina
Abaixo da cachoeira
El Capitan: uma das formações mais famosas
Como já conhecíamos o parque, optamos por fazer tudo de carro mesmo (exceto circular pelo Yosemite Valley). Os estacionamentos são enormes e vale a pena parar seu carro e, a partir deles, aproveitar os ônibus com ar-condicionado para visitar pontos como cachoeiras, rios e trechos de florestas.
Contraste de cores
Riacho para alegria da garotada
exuberância da natureza
pontes bem cuidadas
o parque também é muito bem sinalizado
Passear pelo Yosemite Valley é sempre uma experiência enriquecedora. Além de observar as belezas naturais, você pode, em algum momento, deparar-se com um urso (infelizmente nós não tivemos esse encontro) ou até mesmo com um autêntico índio americano sobre seu cavalo malhado.
Na planície, homem à cavalo...
...desperta curiosidade de turistas
Era um índio americano e seu cavalo Shadow
Em 2015, devido a uma grande estiagem na Califórnia, alguns riachos chegaram a secar e as cachoeiras perderam volume e parte de seu esplendor, mas nada que lhes tire a beleza.
A estrada, ou melhor, uma delas. E lá, bem ao fundo, as montanhas. É para lá que vamos...
Depois de três dias em San Francisco, era hora de deixar a costa oeste e seguir para o leste, ao interior do continente. O destino? Yosemite Park. A estimativa de viagem é de umas cinco, seis horas, já incluído o tempo de refeição, para percorrer os cerca de 350 quilômetros de estrada sem pressa e com direito a serra.
As caixinhas de correspondência à beira da rodovia em povoados isolados: um clássico americano...
Para aproveitar o parque desde cedo, optamos por parada e pernoite no ponto mais próximo de Yosemite: Oakhurst. Foi uma sábia decisão. Lugar agradável, tranquilo, e já nos colocava no clima de montanha que desfrutaríamos nos dias seguintes.
Paramos num hotelzinho literalmente na beira da estrada. Bacaninha, confortável e bem calmo.
O hotel, na beira da estrada...
...em plena na serra
Pela área costumam aparecer coiotes.
bacana e num ótimo ponto
Ainda deu tempo de o Arthur curtir a piscina. Mais tarde, depois de detonar uma pizza e umas cervejas que compramos um pouco abaixo do lugar onde nos hospedamos, fomos descansar.
Arthur encarando a água gelada
Piscininha maneira
Pouco mais de 30 quilômetros acima está Yosemite
Pizza: para Arthur um dos melhores momentos da viagem
No dia seguinte, o plano, cumprido à risca, era acordar cedo, dirigir mais uns 35 quilômetros até a entrada do parque, procurar o hotel e começar a curtir o lugar mais agradável da viagem...
O Big Sur também te leva a uma das cidades mais bacanas dos EUA: San Francisco.
Bondes
Pier 39 e leões marinhos
vista do bonde
Alcatraz, hoje um parque
Esta foi a segunda vez que estivemos na cidade. Muita diferença entre aquele já longínquo 2006 e 2015. Mais pelas estações do que pelo intervalo de tempo mesmo. Tudo continua lá, bonito, bem cuidado, mas visitar a cidade na alta temporada pode não ser tão agradável quanto numa meia estação.
San Francisco é linda, mas no verão é preciso paciência para percorrer seus principais pontos turísticos, disputando espaço com os turistas de todo o mundo. É muita gente e filas enormes. E isso pode te deixar um pouco frustrado. Portanto, um conselho: não vá no verão norte americano, entre julho e agosto. Se decidir fazê-lo, abstraia as multidões para se divertir bastante, pois a cidade é extremamente agradável.
Ghirardelli: vendo como se faz casquinha e sorvete
A "casquinha"
Paradas obrigatórias: Golden Gate (a ponte, o Presídio Park, enfim tudo o que for relacionado a ela); Fisherman's Wharf, especialmente o Píer 39, o trecho sinuoso da Lombard Street (pode ser de carro ou a pé - recomendo as duas formas); andar de bonde; tomar um sorvete na Ghirardelli; Academia de Ciências da Califórnia no Golden Gate Park (http://www.calacademy.org); Alcatraz; Sausalito (já do outro lado da ponte) e Tiburon, também do outro lado da ponte, logo depois de Sausalito.
Presídio Park, para admirar a Golden Gate e levitar como Magneto
Só não conseguimos visitar a famosa prisão de Alcatraz: todos os barcos já estavam lotados! O ideal, em alta temporada, é comprar o ingresso antes, pela internet, e programar a estada na cidade para a data escolhida. Quando chegamos no Píer 31 (de onde partem os barcos que levam à ilha), fomos surpreendidos com a alta demanda. Era dia 23 de julho e só havia bilhetes disponíveis para 19 de agosto. Até tentaram nos empurrar um passeio de barco em volta da ilha, mas a uns 20 dólares por cabeça e sem acesso à cadeia histórica. Declinamos.
Alcatraz ficou só na maquete
Aquário
Floresta artificial
AAcademia e Ciências é um ótimo lugar para levar as crianças e passar o dia inteiro. Tem aquário, museu, ambientes de florestas reproduzidos dentro do prédio, exibições, atrações como a que simula terremotos, enfim, tem de tudo para a molecada. E, pra coroar, o sensacional telhado verde do prédio ecológico.
Academia de Ciências
Por dentro: T-Rex
Do lado de fora
Túnel sob aquário
O telhado verde
Brincando com estrelas do mar
a beleza do aquário
crocodilo albino
Na cidade de Sausalito, de cerca de 8 mil habitantes, o bacana é parar o carro num ponto e andar pela orla, absolutamente linda. Guardadas as proporções, a relação entre San Francisco e Sausalito, ligadas pela Golden Gate Bridge, é como a do Rio de Janeiro e Niterói.
Sausalito
Linda à beira-mar
também tem serviço de ferryboat
ao fim da avenida principal
Tiburon, por sua vez, resume-se praticamente a uma praça central e um punhado de ótimos restaurantes, além de uma colina repleta de mansões cinematográficas. Lá, uma linha de ferry pode ser uma ótima opção para cruzar a baía de volta a San Francisco. Tem uma galera que aluga bikes, pedala à vontade, vai ao porto, embarca no ferry e depois segue pedalando do outro lado.
Na praça central escultura em forma de barbatana
Vista da San Francisco Bay do alto de Tiburon
Há outros programas bem bacanas na área de San Francisco. Dá uma olhada no que escrevemos na edição de 2006!